quinta-feira, 5 de novembro de 2009

...

Que engraçado né.


O ano em que eu encontro o segundo homem da minha vida é o ano em que o primeiro decide ir embora.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Reticências




Oi, blog, eu ainda não morri. : D

Estou vivendo apenas para o mestrado, mas isso tem sido muito bom. Penso que quando voltar a respirar publicarei algumas produções textuais aqui. Tem sido um ano de várias experiências. Estar dentro da sala do mestrado é algo que vai se configurando aos pouquinhos, com leituras, discussões, professores. Quando você vê, aquilo é tão bom e faz tanto parte da sua vida quanto dormir ou acordar. As coisas parecem tomar uma proporção sempre mais profunda, as disciplinas parecem cada vez melhores!
Eu entreguei meu projeto, quem diria! Aquele pré-projeto no qual eu sofria tanto ano passado se tornou um projetão cheio de expectativas e já está em andamento. Eu estou orgulhosa de tudo que está acontecendo com a minha vida.
E um fato engraçado: no mestrado, tanto quanto na vida, a gente também precisa se submeter à imaturidade dos outros, lidar com traições grosseiras e aprender a estar acima disso tudo sem pestanejar. O lado bom é que nessa hora a grande maioria das pessoas já adquiriu maturidade e capacidade de julgamento.
Desde sexta-feira passada me desapontei com pessoas que eu muito admirava. Mas o valor está no caráter, e o meu eu garanto.

É também este, o ano em que eu aprendi a amar um homem. Aliás, ele está de aniversário hoje. E o que eu desejo pra mim é poder estar ao lado dele cada segundo. Porque desde dia 14 de feveiro de 2009 eu deixei de ver ele durante apenas 4 dias, incluindo os dias em que éramos aqueles grandes amigos apenas amigos nada mais do que amigos. Ele é o homem da minha vida, meu parceiro, minha alma-gêmea. A cada dia mais me dou conta que estamos aqui um para o outro e hoje farei uma coisa muito louca. O presente de aniversário dele será a tatuagem de um trevo de quatro folhas, igual ao que ele tem tatuado na cintura, que eu vou fazer na minha costela. E quando eu contei pra ele, ele resolveu fazer junto comigo o gato que eu tenho do outro lado da costela no braço dele. E assim estaremos juntos para sempre.

E isso configura a declaração de amor mais linda que eu já vi na minha vida.

Estou coma barriga cheia. ;D

terça-feira, 15 de setembro de 2009

:(

Meu blog estacionou definitivamente, mas nesse ano que estou com facul, pesquisa, mestrado, pré-projeto e estágio isso era esperado.
Tenho textinhos, um dia eles serão digitalizados.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Piada muito interna

Eu achava que era eu quem estava dando as cartas, então comecei a pesquisar - qual seria a melhor forma de fazer com que a metodologia se aplicasse diariamente.? Compenetrada nisso, fechei a cara a sete chaves e todo mundo que me amava passou a me desamar mais de longe.
Eu fui nas festas, bebi as bebidas, olhei os olhos e quando voltei para casa ambas as coisas haviam falhado.
Chorei bastante nesses últimos dias, mas me sinto completa toda vez que você está no meu contexto.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Eu vou querer lembrar disso




Eu andei lutando contra a estabilidade dos planos diários, achando que a rotina dentro da falta de rotina era nociva e faria com que eu envelhecesse. Pois que surpresa, envelhecer é bom. Desde janeiro, época distante em que eu procurava qualquer lugar pra ir qualquer dia da semana com qualquer companhia que fosse, as coisas começaram a mudar desapercebidamente.
Eu comecei a pegar gosto pelo cheiro da casa impecável e para os tantos de horas que passava deitada na cama ao lado do meu amor, sem nada demais pra fazer. Comecei a gostar de estar em casa, sentada no chão desenhando. Comecei a gostar de dormir cedo e acordar mais cedo eventualmente pra deixar a casa com cheiro de café, ainda que raramente isso acontecesse e geralmente a verdade fosse acordar em cima da hora pra ficar quanto mais tempo possível embaixo das cobertas quentinhas.
Ler na cama com gato na barriga, comprar ingredientes e fazer almoço em casa, sentar na cama pra conversar, andar de mãos dadas no shopping, comprar livros juntos. Achava que isso era tudo coisa de gente velha e gasta, de vida seca, de vontade medíocre. Mas como eu estava errada, e que bom que isso aconteceu agora, na pessoa certa da minha vida.
Eu vou querer lembrar desse ano de 2009, porque foi em fevereiro que aconteceu o evento mais significativo da minha vida. O resto do caminho é trilhado por mim, ao amor verdadeiro eu dedico um ponto de mudança relevante. Eu quero lembrar das peças de teatro, das milhares de idas e vindas, do tempo em que pegar na mão era proibido, beijar no ônibus implicava em olhar 500 vezes ao redor, pra evitar que coisas tão belas trouxessem coisas tão tristes à outras pessoas. Eu quero lembrar do frio na barriga e das faxinas de emergência que eu fiz quando você me ligou dizendo que iria aparecer pra tomar um café.
Eu vou querer lembrar que gritei em casa sozinha dizendo que estava tudo acabado entre nós e quando você me ligou eu acabei falando mansinho dormindo na sua casa, ainda que fosse só pra sentir o seu braço apertando meu peito e o cheirinho gostoso do seu cabelo. Vou lembrar que me fazia de difícil, mas que derretia deliberadamente com seu beijo e daí... princípios pra quê? Você mexia com meu ego mas eu não conseguia te ignorar.
Vou querer lembrar que foi um ano difícil, mas que meus amigos obtiveram grandes conquistas e me encheram de orgulho mais que uma vez. Vou lembrar que os atrasos aconteceram para que tudo viesse a seu tempo e que um café nunca foi tão saboroso. Parece que cada dia ficam mais distantes, mais bem sucedidos e cada tarde que passamos juntos parece passar mais depressa, prometendo o dia que teremos tempo o suficiente para falar sem pressa.
Eu ando sentindo que minha vida está no patamar que eu sempre achei que merecesse. Se mereço ou não,não me importa. Ateus não ficam esperando um julgamento final. O meu próprio julgamento diz que sim, que tudo isso que está acontecendo na minha vida é uma compensação, o fim de uma enorme busca. Um caminho de erros programados pelo meu subconsciente para que houvesse espaço para todas essas realizações. Eu tenho sido feliz como nunca fui na minha vida. E só quem me conhece sabe o quanto eu me recusei a acreditar no amor.
Mas perceber que eu poderia dar muito mais que a vida por alguém me fez mudar radicalmente em diversos sentidos e aprender muitas coisas sobre o altruísmo. E são razões honestas, sem demagogia barata.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

s2

tô apaixonada...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Férias yay!

As férias começaram assim:
Sexta-feira churrasco no tênis clube com a família do Frank. Aquela chuva caindo lá fora, comida boa e companhia divertida. Docinhos no posto, cobertas quentinhas e seriado até de madrugada. Sábado de manhã levamos Lúcifer no veterinário, tomamos café da manhã no Mac Donalds - e agora estou oficialmente enjoada de Mac Donalds [a despeito de ter tomado um café delicioso], passamos no mercado e fomos para Rio Negrinho. É mórbido dizer, mas a serra Dona Francisca sob chuva torrencial e neblina perigosa é linda de morrer.
Saindo de Avalon, almoço de pai e mais chuva pra se enfiar em baixo das cobertas até o fim da tarde, quando saímos da cama pra fazer sushi com a family. Comemos feito loucos e abandonamos a idéia de ir naqueele show de rock que ia rolar lá em Rio Negro. Nos convencemos de que não estamos ficando velhos de acordo com as três seguintes premissas:
-A chuva era ameaçadora demais e a estrada é perigosa
-Nenhum de nós sabia onde exatamente era o show
-Mesmo não tendo ido, ficamos enchendo a cara com meus primos até de madrugada, tão ou mais divertido.
Aí ontem o dia amanheceu lindo, descemos a serra de manhã e terminamos o fim-de-semana com almoçando um dos meus pratos preferidos na casa dele. Depois disso um pouco de cama, café com amigos, mercado e casa. Aí ele dormiu comigo, porque estamos de férias e nas férias podemos dormir juntos sem parecermos casados. Porque não queremos estar casados bem como não queremos estar velhos.
Tenho que dizer que manter a ritualística da coisa tem se tornando instintivo e agora eu percebi a verdadeira ligação entre solenidade, intimidade e respeito. Precisa equilibrar bem porque uma vez que a barreira tenha sido ultrapassada, o relacionamento envelhece e enfraquece instantaneamente, e todo mundo sabe que o tempo não anda pra trás. É por isso que geralmente, quando eu tomo café da manhã, sinto-me plena. Ou quando é quase uma hora da tarde.
Mas então. As férias começaram e junto com elas a massa de obrigações que eu carrego, que se eu ignorar, simplesmente não poderei prosseguir com NADA até o fim do ano.
Seriam elas:
-Escrever o roteiro do projeto de pesquisa e iniciar os desenhos [preciso de ajudantes!]. Status: 10%
-Refazer o pré-projeto da minha dissertação para protocolar dia 30. Status: 60%
-Faxina e revolução nos armários de casa. Status: 20%
-Escrever o ensaio dos espelhos. Status: 0%
Oh, céus, a perspectiva já me mata, mas vamos lá que ao fim deste ano eu serei compensada por toda essa correria. E quando, me diz quando eu vou poder ficar com ele durante tempo o suficiente para que não dê a sensação de que não foi tempo o suficiente? .__.'
Então é isso. Vamos lá. :)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um about me - aquilo que eu escreveria no orkut mas eu acredito que não importe aos demais

Porque o blog é meu e eu posto o que eu quiser.

Tomo café demais e no fim do dia me culpo por isso [diariamente]. Tenho sérios sinais de velhice como: odiar roupa estampada, cabelo colorido, programas de fim-de-semana incertos e acampamentos sem chuveiro quente. Sou metódica e odeio que tirem minhas coisas do lugar [por exemplo meus livros que ficam em ordem alfabética]. Eu, todavia, tiro minhas coisas do lugar diariamente.

Amo meus gatos mais do que amo quase toda a população mundial, com raras e severamente refinadas exceções. Se amo, amo como você jamais será amado. Se desprezo, desprezo de uma maneira esplêndida. Tenho a capacidade de transmutar sentimentos do dia pra noite, de um minuto para outro. Transformo dramas em tragédias e alegrias em epopéias. Acho que não vale viver a vida se você não puder contá-las depois como se tivesse vivido em um filme.

Não odeio, mas sinto ódio semanalmente. Gosto de estudar e me organizar, mas raramente executo essas atividades. No entanto, gosto de ler e raramente não estou executando esta atividade. Gosto de livros mais do que gosto de pessoas.

Sou arrogante e metidinha, mas amigos são colocados além desse murinho e sabem que eu faria de tudo para ver alguém que eu gosto dar uma risadinha. Se você quer interagir comigo, coloque um cd que eu não saiba cantar. Se você quer conversa, deixe o som de lado. Timbres geralmente valem mais do que palavras. Mesmo assim, não sou muito enjoadinha nem muito preconceituosa musicalmente. Se eu achar bom, não importa o nome que a coisa leva. Eu sempre uso dois adjetivos para deixar um ponto bem claro e definido. Hi.

Eu me entrego aos prazeres da vida de uma maneira inconseqüente. Eu adoro beber uísque sem regular doses, cerveja até acabar o dinheiro, adoro testar todos os sabores de uma refeição, sentir o doce depois do salgado. Gosto de dançar até doer, de gritar até doer, de chorar de amor, siga a linha de raciocínio por si...

Sou Gatsby e gosto de oferecer grandes festas com muitos amigos, mesmo que às vezes eu me sinta infinitamente sozinha dentro delas. Não sou uma ativista, mas faço justiça dentro do meu sistema. Devolvo troco errado e não dou esmolas, não jogo lixo no chão mas bitucas no bueiro sim. Não dôo nada pra crianças carentes, mas poderia dar todo meu dinheiro para o Abrigo Animal. Hmm, não, não poderia, mas gostaria. Me sinto gordinha, mas não tenho tabus com a minha nudez. Luto diariamente entre calças ficando largas versus sonho sem recheio e sensações de frango grelhado. Mas também tenho consciência de que eu tenho uma carinha simpática.

Não faço as unhas, uso as blusas da minha mãe, jeans com tênis e geralmente estou descabelada. Sou uma pessoa consumista e gosto de todo o tipo de peruagem, mas não tenho tempo e acabo sempre ficando com pena do dinheiro. Gosto mais de desenhar do que de escrever, mas as pessoas dizem que escrevo melhor do que desenho. Isso me frustra. Gosto de trabalhar desde que haja trabalho. Odeio trabalhos que deixam tempo livre demais, me impedindo de sair por aí saboreando o mundo durante um horário fixo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

After all





Fim do fim do semestre. É como tivesse passado um furacão.
Até que todos os devidos trabalhos tenham sido entregues, a casa foi ficando abandonada, bateu a loucura, deixei de tomar meus três banhos por dia substituindo-os por apenas um no fim do dia. Arrumar a cama se tornou um ato puramente psicológico, a louça se acumulou até não sobrar nada nos armários e eu comi 3 vezes Mac Donald’s em um mês apenas, e isso é bem mais do que a minha cota anual de Mac Donald’s sem enjoar. Mas não requer tempo de preparo e não requer louça limpa, tá valendo! As roupas estão formando uma grande corrente pela paz mundial dentro do guardarroupas. Para agravar toda a situação, há Lúcifer. Lúcifer é o novo gato. Ele apareceu em uma tarde dessas em que eu e meu namorado nos revezávamos entre os meus trabalhos e os trabalhos dele, alternando nossos picos de stress e destruição. Eu estava levando o lixo, que já era quase um terceiro humanóide no apartamento 202. Chegando lá na frente, encontrei um filhote de gato. Ao contrário do estado deplorável em que encontrei minhas outras gatas, esse tava lá. Branco, lindo, saltitante, miando todo fofo. Descobri que jogaram ele na frente do ponto de ônibus junto com o irmão, que já tinha sido atropelado. Ele seria levado ao Abrigo Animal, que já está com a população máxima pra lá de chinesa e eu bem sei as condições de vida que ele teria comparativamente, pela falta de recursos, e é lógico, apoio da sociedade e do governo. Peguei-o no colo e visualizei a linda vida que ele teria comigo, com três lindas irmãzinhas, uma cama bem grande e quentinha, ração de primeira, plano de saúde, ratinhos de erva-de-gato, colégio particular... Pois é. Fiquei com ele. Eu e Frank adotamos nosso primeiro gatinho, que orgulho. Passamos a tarde todinha rolando com aquela coisinha branca de olhões azuis e patinhas minúsculas. Na hora de sair, trancamos ele no banheiro, por medo que as irmãzinhas de 8 quilos agissem violentamente sentindo ciúmes ou rejeição, e fomos estudar. Muito bem. Lúcifer miou.
Voltamos. E Lúcifer continuava miando. Entrando em casa posso jurar que algum vizinho gritou “Atoilodauta”. E as irmãzinhas talvez não tenham sentido muito amor assim tão rápido. Bem na verdade, elas sentiram uma fúria psicótica e entraram em um estado de stress alarmante. A Sofia teve um ataque de asma e parou de tomar água. A Suzy miou loucamente compensando todos os anos de silêncio. A Branca... Encostar nela era como apertar um eject e ela pulava em órbita parabólica para o mais longe possível. E o gato prosseguiu miando. Buscando nas teorias felinas que compõem minhas prateleiras, encontrei os seguintes tópicos sobre relação entre gatos novos e gatos velhos na casa: os gatos novos devem ficar isolados dos gatos velhos durante uma ou duas semanas, de acordo com a mudança nas reações; deve ser feita a troca entre potes de comida e caixinha de areia para que os gatos acostumem com o cheiro uns dos outros; os gatos velhos devem ficar nos seus locais preferidos e manter seus privilégios durante este período [o não cumprimento deste item pode ocasionar fugas, tentativas de suicídio, tentativas de donocídio, entre outros]. Pois bem.
Lúcifer no banheiro, meninas na vida. Tudo teria dado mais que certo... se ele não tivesse miado a noite toda. E na noite seguinte também. E eu só fui dormir na noite posterior, quando fomos para Rio Negrinho com ele e ele pode finalmente dormir comigo e com Frank. Voltamos, estabelecemos novamente a ordem proposta e esta é a quarta noite consecutiva que eu não durmo. Mas cada vez que ele rola na cama e estiva as patinhas pedindo carinho tenho certeza que vai valer a pena.
Aquele momento está cada vez mais distante na minha cabeça. Aquele momento é o seguinte: eu tenho a grande aspiração de fazer todas essas coisas que estou fazendo, prosseguir nas pesquisas e manter os anos da minha vida bem ocupados com tarefas profissionais e acadêmicas dignas que relacionem realização pessoal e retorno financeiro. MAS. Mesmo assim, espero sempre pelo momento em que as férias chegam, as atividades cessam e eu posso passar dias e pijama, arrumando meus armários, colocando meus queridos livros em ordem alfabética, fazendo café da manhã, brincando com gatos, assistindo anime, jogando RPG, namorando tempo o suficiente para não parecer que não há tempo suficiente para dar beijinhos.
Estar namorando nesse período é ótimo. Ele ajuda a imprimir meus trabalhos, eu ajudo a recortar os dele. A gente se dá bem, faz tudo juntos, se diverte e acaba invariavelmente trabalhando pela vida. Nessas horas percebe-se quão necessária é uma parceria lógica e um trabalho em equipe eficiente. Ultimamente muitas coisas têm mudado na minha cabeça e na minha vida. E eu tenho sido a pessoa mais feliz do mundo.
Agora, coisas que precisam urgentemente ser feitas:
-Uma grande organização no meu guardarroupas, de onde surgirá uma pilha de donativos.
-Um reboot no meu armário de mantimentos.
-Uma limpeza na minha lista de contatos.
-A finalização do roteiro do meu PIBIC.
-A redação do meu ensaio de Tópicos Especiais.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Meio de ano

Todo fim de semestre é uma droga. Um fim de semestre com um namorado bom é uma droga maior ainda. Estudar, fazer trabalhos, realizar atividades inúteis e sem sentindo quando você pensa na cama de colcha rosa, no seriado que vocês assistem juntos, na comida que ele faz, nos programas pro fim-de-semana. Mas não. Lá estão os malditos trabalhos inúteis que a faculdade exige para emitir um documento que te certifica como capacitado [esteja você ou não, desde que enfie seu dinheirinho mensalmente nos rechochudos cofrinhos da instituição filantrópicazinha] para exercer tal atividade.
O mestrado é diferente. Lá a gente lê, produz textos, ensaios, faz avaliações, lê as referências das referências e as referências destas e vai cavando cada vez mais fundo num poço infinito de conhecimento. Cada matéria que acaba deixa a sensação de que você é realmente estúpido perante o mundo tão grande de conhecimento, além das conexões interdisciplinares que são feitas diariamente, expondo pontos de vista interessantes, diferentes, paralelos ou não. Quando estou lendo coisas do mestrado, sinto prazer e satisfação, e não que eu gostaria de estar fazendo alguma outra coisa no lugar.
No design, cada vez que entrego um trabalho, tenho a sensação de que o bom designer é um inútil safadinho. Porque todos os vadios safados entregam trabalhos relativamente bons, tirando notas iguais ou melhores do que a dos empenhadões que passaram horas e dias elaborando porcarias inúteis.
No departamento tem briguinha, discussão, fofoquinha, professor ofendido, professor-que-vai-foder-cuzinho-de-aluno porque o aluno falou blasfêmias [sejam elas verdades ou mentiras]. Tem professor fuçando a internet atrás de aluninho que escreve coisinhas em seu espaço pessoal, bem como o meu será encontrado em breve, e aí eu provavelmente perderei nota, ou o trabalho que eu entregar mal feito vai ser o que vai valer mais, ou a referência estaria com problemas, ou... deu pra entender né? O lado bom é que eu provaria meu ponto.
Eu sempre obtive ajuda e respeito do departamento, mas percebi que morri na praia. Foi nesse último semestre que foi-me dito A, e o que foi feito com a minha nota foi B. Isso caracteriza uma mentira, de certa maneira eu colocaria como uma traição, uma vez que se tivesse sido dito B desde o primeiro momento, eu teria me esforçado para cagar B da maneira que foi requisitado. Eu fico muito chateada em ver tantos laboratórios e professores bons se perdendo em meio a uma massa medíocre e conformista de filhinhos de papai que buscam incessantemente seu canudo pra pregar logo na parede, pegar o manche da empresa do papai e o volante da Captiva da mamãe e ir pra Moon pagar uma bera pra loirinha de strass. Essa massa vai esculpindo o curso, até que coisas como B acontece com pessoas como eu, que não passou dias e meses e anos em cima de uma escrivaninha, mas pode-se dizer que fez por merecer a situação A. Isso me desmotiva continuar pra mostrar por aí um canudo cuja posse não apenas me pertencerá, mas também faz parte dos currículos [se é que existem] de uma porção de mentes medíocres incapazes sequer de fazer um trabalho de conclusão digno de aprovação.
Como tantos TCCs não aprováveis sequer chegam na banca? Como há tanta discrepância nas opiniões dos membros que compõe estas bancas? Como os orientadores se prestam ao papelão de assinar um trabalho e ver ele ser humilhado perante olhos de calouros, amigos, pais, professores? Como deixam o trabalho do designer se transfigurar em um fazedor de bonequinhas, colorista de livrinho de pintar e outros afins? Cara, não, obrigada. O vidro quebrou, a decepção bateu, a angústia está aí. Vou ter que achar um lugar bem escondido pra ela na prateleira e conviver diariamente com isso, até que contratos de estágio, projetos de pesquisa e outros afins se estabeleçam da maneira mais adequada. Eu aguardo, estudo, faço meus trabalhos enquanto isso, saindo da faculdade cada dia mais triste com o panorama, pensando que poderia estar desenhando bastante e lendo mais ao invés de estar lá correndo atrás do rabo das 19 às 22:30.
#prontofalei
Mas é isso. Logo acaba, tem umas feriazinhas pra fingir e depois tudo denovo até o fim-do-ano, onde vou estar atarefadíssima. A minha rotina tá uma coisa louca e pra melhorar um pouco ontem fui pro hospital, onde o médico arrancou meu tecido epitelial me deixando com um quadrado de cerca de 1 cm² de carne úmida e vermelha exposta. Aí você pensa: "ai, fresca, 1 centimetrozinho...". Eu digo - Vai, tenta andar por aí com um pedaço mínimo que seja seu em carne viva, sendo esta uma superfície de contato e atrito constante, a gaze entrando e grudando e deixando pedaços dentro da coisa toda. Que nojo. Quatro curativos por dia, antibiótico, agendamentos no hospital. Tudo que eu andava precisando. han? O lado bom é receber uma visita matinal, onde meu namorado de dedicação e paciência [além de estômago] inigualáveis faz meu curativo.
E eu finalmente joguei Mago: A Ascensão. É difícil. Muito mais complexo que Vampiro, exige mais concentração, criatividade e leitura. Achei um jogo sublime. Quero mais. Sonhei. Achei o sistema muito mais explêndido do que considerava quando me restringia à Vamp e Lobis. Agora estou em duas mesas, uma D20 medieval e outra... bem, cenário atual... fora da Umbra, eu digo. Aiai, que piada sem graça.
E sim, mesmo com toda essa loucura profissional eu ando jogando RPG, porque eu também tenho direito a lazer, ou melhor... não enlouquecer né. Então é isso. Beijos me liguem.